Saudosa Infância

27 05 2010

O dia parecia calmo, calmo demais para uma cidade como São José dos Campos, onde o transito é infernal, o movimento na empresa é de arrepiar os cabelos… Acordei com um frio, parece-me que choveu a noite… De manhã o dia estava escuro, frio, melancólico. O tempo, porém, não era desculpa para eu ficar em casa, sob as cobertas, tomando chocolate quente e vendo TV como quando era criança, precisava levantar e trabalhar. Vesti um roupa básica e fui.

Não sei direito, mas me sinto uma criança hoje… Querendo voltar no tempo… (Ah! Se existisse uma máquina do tempo, como aquela descrita no livro “Cavalo de Tróia”) Lembrei agora do dia das Crianças. Dia 12 de outubro! Já tem algum tempo que eu não presto muita atenção nessa data. Ao ser informada — aos 12 anos — de que eu não iria mais ganhar presente, parei de achar graça e fiquei até com uma certa antipatia por esse dia. Ora! Por que não poderia ganhar um presentinho dos meus pais também? Mas logo deixei de lado esse pensamento. Já passei natal, dia dos namorados, dia do jornalista e até aniversário sem ganhar presente e tudo bem… Normal. Só queria ter o direito de reclamar, pois deveria existir um dia específico para as pessoas que não se enquadram  nas datas específicas, mas que merecem tanto quanto as outras!

Às vezes penso em como é bom ser criança… Conheço muita, mas muita gente mesmo, que tem um apreço especial pela infância. Desconfio até que seja uma maioria absoluta. Toda pessoa com mais de trinta anos tende a considerar a infância como a fase mais feliz de sua vida. As pessoas dizem que não havia com que se preocupar, que faziam o que queriam, que brincavam mais, que se divertiam à vontade, que eram muito mais sinceras.

Mas que bobagem… Somos adultos, mas podemos deixar sair aquela criança que temos dentro de nós. Quando adultos, temos “cabeça dura” fazemos tudo ao contrário do que queremos. Falamos que não queremos sair quando queremos, amarramos as mãos pra não ligar para alguém quando estamos morrendo de vontade, fingimos que não estamos chateados com alguém quando estamos, é um crime cometer tamanho absurdo.

Deveríamos viver mais leves… Ser mais criança…

As crianças fazem e falam o que têm vontade, dizem o que sentem e se agíssemos como as crianças estaríamos nos esvaziando do desnecessário. Como se estivesse saindo de nós aquilo que não precisamos carregar. Não precisamos ser tão reprimidos, carregar tanto medo, tanta culpa. Algumas pessoas chegam a curvar as costas, tamanho o fardo de conflitos que carregam.

Não é bom brincar de ser criança? O que, no mundo, pode ser melhor? Eu gosto de comer. Alegro-me diante de uma colher de brigadeiro. Também gosto de ter dinheiro sobrando para comprar sapatos, roupas. Que mais? Gosto de livros. Fico encantada entre as páginas, as palavras escritas, os cheiros que saem de uma estante cheia deles. E olha que minhas coleções são de dar inveja a qualquer pessoa que gostaria de ingressar no mundo literário.

Eu também gosto de ver os sinais de trânsito verdes, e gosto de receber mensagens de texto e e-mails, adoro ir ao cinema (coisa que ando deixando de lado), e morro de alegria quando tenho mais uma hora livre e minha melhor amiga também.

Tantas coisas boas que há na vida, que não deveriam ser abandonadas na infância…

Faz muito tempo que alguém não me deseja um “Feliz Dia da Criança”, mas apesar de já estar bem grandinha sinto-me cada vez mais vivendo o tempo que a maioria das pessoas tem apenas como saudosa memória.

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