Colcha de Retalhos

20 02 2014

 Retalho 2 EditadoJá dizia Charles Chaplin que chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo. Para qualquer escolha se segue uma consequência. Vontades efêmeras não valem a pena. Quem fez uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida! O que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente. Não é preciso perder para dar valor, e amigos ainda se contam nos dedos. Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que deve se guardar para o resto da vida e o que nunca deveria ter entrado nela.

Pensando nessas palavras, muitas ideias, muitas coisas passaram na minha fértil cabeça (rs)… Sendo assim, com tanto a escrever, resolvi falar um pouco sobre mim, de como eu me sinto muitas vezes e de como gostaria, sinceramente, de ser vista.

O titulo da minha crônica hoje foi proposital. É assim, exatamente assim, que me sinto! Se metaforicamente sou uma colcha de retalhos, também acredito que posso ser vista além dos meus remendinhos.

Algumas amigas, a minha mãe e uma das minhas irmãs, têm o espírito aberto e com um pouco de disposição conseguem aceitar o que está meio camuflado, um furinho aqui, uma costura solta ali, e ainda assim, conseguem enxergar a harmonia do meu conjunto.

Outros talvez, por se julgarem retalhos perfeitos e intactos, se incomodam com a má combinação de fazendas. Num mundo onde tudo é rapidamente descartado e substituído, um simples fio puxado ou desgaste no acabamento bastam para a reposição.

Posso dizer que alguns acreditam estarem numa missão comigo. Os costureiros da colcha esfacelada! Kkkkk. E se empenham nessa jornada.  Mas esquecem de que ninguém pode consertar ninguém… Remendos fazem parte do pacote e não dá para transformar uma colcha de retalhos num edredom dupla face.

Talvez o meu grande problema seja deixar à mostra os meus defeitos, claro que não todos! rs. Mas, como num passe de mágica, ou na velocidade de um flash de máquina, me permito mostrar-me por inteira.

Um dos meus retalhos que mais me agrada é nunca cobiçar a colcha do próximo. É ilusão achar que a colcha do vizinho guarda mais qualidades que a minha. Ninguém garante que lá no meio não existam destroços e muita fuligem… Prefiro sempre remendar a mim mesma.

Não quero passar minha vida inteira me mostrando por partes, só as melhores! Acho que a maturidade me fez confiar no meu valor, relaxar diante das minhas imperfeições e combinações esdrúxulas. 

Sei que com o tempo, descobrirei pessoas que ao me observarem 100% aberta e apesar dos tecidos que não combinam, dos rasgos que insistem em abrir, do desbotamento e da costura que se desfaz, aceitarão o que veem sem a necessidade de buscar as famosas “caixinhas de costura”.

Talvez essas pessoas, (que eu encontrarei, não tenham dúvidas) se habituarão ao conforto do meu desgaste, com a visão daquela manchinha, com as cores disformes, e aquilo não vai incomodar; ao contrário, trará alento. É quando, enfim, me permitirei ser vista por inteira também! Sem culpa! Sem neuras…

Mas isso, não necessariamente, tem a ver com encontrar o príncipe encantado, que me aceite do jeito que sou. Não tenho pressa, não acredito em príncipes! Digo por encontrar ou reencontrar pessoas…  Sejam eles, apenas amigos, parentes e, talvez, muito talvez, um amor.   

Sim! Um amor! E, apesar de estar com o coração tranquilo, em paz e de férias, vou dar um conselho pra quem, por curiosidade, me lê. Sabe aqueles livros românticos que você adorou? Olha, confiem em mim, eles não ajudam em nada. Aliás, eles até atrapalham! Porque você aprende a acreditar num tipo de amor meio esquisito, num amor que tem um desfecho atrapalhado porque lhe faz acreditar em idas e vindas, joelhos dobrados embaixo da janela, demonstrações de carinho, buquê de flores com pedido de perdão, fidelidade, arrependimento e revisão de vidas… E quer um conselho?  Isso não acontece!  

E enfim, acredite: os finais nunca são felizes como na novela ou nos livros. São felizes na medida do possível, do jeito que podem ser. E quando a gente entende que perder (qualquer coisa), muitas vezes liberta, a gente relaxa. E percebe que ter responsabilidade por sua vida não é tão difícil assim…

Pois sendo uma colcha de retalhos ou não, quem costura as histórias e arremata o ponto final não é fulano, nem cicrano, é você!

 

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: