Tinderela, eu?

30 10 2014
A Tinderela dos Tempos Atuais

Kátia Leal em “A Tinderela dos tempos atuais”.

“Aplicativos de encontros como Tinder e Grindr já fazem parte de um mercado consolidado”. (Revista Info Online)

Confesso que por insana curiosidade, despertada por um amigo muito querido, resolvi baixar o Tinder, que nada mais é que um aplicativo para smartphones que serve a propósitos variados: de sexo casual a formar possíveis casais. É simples: você tem acesso a algumas fotos de pessoas de uma determinada idade e localização geográfica (fotos do Facebook, já que o Tinder é um subproduto dele e, portanto, usa seus dados) e ao deslizar o dedo para a direita sobre qualquer das fotos você “gosta” da pessoa e ao deslizar para a esquerda você a rejeita.

Não adianta julgar algo sem saber do que se trata, certo? Sendo assim, o aplicativo nada mais é, em minha opinião, um tipo de cardápio de pessoas. Lá você encontra de tudo… Homens de boa aparência e os tipos mais sinistros e esquisitos do planeta também.

O mais engraçado de morar em Caçapava, é que num giro de 2 minutos, você encontra um ex-namorado, uma antiga paixão platônica, vários amigos, um primo, o marido da sua amiga. De cara, já é bem estranho. Se o objetivo do aplicativo é te mostrar pessoas novas, o Tinder em um raio de quinze quilômetros te mostra tudo aquilo que já conhece.

Algumas descrições me fizeram rir, outras me fizeram refletir…

“Casado, em busca de uma aventura”. Marcelo, 32 (Será que colou?)

“Vivo a vida sem grandes perspectivas, o que vier é lucro”. Lucas, 35 (Que chato!)

“Prefira ver o filme do Pelé”. Rafael, 28 (Ele já deu a dica!)

Enfim, escolher ou não uma pessoa é como escolher seu próximo Iphone, diga-se de passagem…

Isso sem contar as abordagens, que parecem seguir um manual do “ei, tudo bem?”, passando por “você tem Whatsapp?” e a zoação clássica: “hahaha, você no Tinder?”. Essa última eu respondi: “hahaha, parece que você também”. Hipocrisia em aplicativo de encontros não rola.

Algo interessante do Tinder é ter transformado o amor em game. É um jogo que ocupa e distrai, sem grandes expectativas de resultado. E é no “It’s a Match” (quem já jogou o Tinder sabe do que estou falando) que está a inteligência e racionalidade do mecanismo desse aplicativo: você só poderá saber se a outra pessoa em questão gostou de você também e então se comunicar com ela, caso essa “direita” do seu dedo na tela tenha sido mútua. Desse jeito, o aplicativo realiza uma “filtragem” automática e pode evitar frustrações e inconvenientes. Prático e objetivo. Assim como os tempos em que vivemos.

Não há mais paciência, não existe mais a magia de conhecer o outro – aliás, já escancaramos tudo, não é mesmo? Olhares perdidos não se cruzam mais, pois todos estão olhando para a mesma coisa: seu celular com seus mil aplicativos que servem para ajudar a fazer coisas que ninguém deveria nos ensinar, como conhecer pessoas, por exemplo. Lidamos com dez aplicativos ao mesmo tempo, mas não sabemos nos portar em uma conversa “face to face” com uma única pessoa. Não resistimos a ânsia de tirar uma foto no barzinho (e nisso, muitas vezes, me incluo) e dizer para todo mundo sobre como somos descolados, qual cerveja cara estamos bebendo e como a música está bombando…

Bem, mas voltando a falar do Tinder, será que este método fordista de escolha de um parceiro é um reflexo de nossos tempos? Como será essa futura geração de relacionamentos?

Será o fim do amor romântico? Ou será só uma versão digital da balada, onde pessoas se beijam e trocam whatsapps e facebooks (exatamente nessa ordem: se pegando primeiro)?

Não, não é tão romântico a princípio, pois ainda creio que a vida acontece lá fora!

Não tenho nada contra, mas ainda sou de uma época que isso era feito pessoalmente… E, definitivamente, ser uma “Tinderela”, não combina comigo!

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