Até a morte, tudo era vida!

10 03 2016

TeresinhaAcordo terça-feira com a sensação de que o mundo estava terrivelmente mais pobre…

Como assim? Eu tinha esperança. Todos tinham…  Todos os seus amigos e até os nem tão chegados estão sem chão, sem saber o que pensar, nem o que dizer. Parece que a gente acordou com uma ressaca amarga daquelas, com a sensação de que perdeu alguma coisa da vida que passou. Perdemos.

Fiquei mal… Minha mãe então!?

Com a ressaca veio angústia, tristeza e um buraco negro de perguntas. Por que não pudemos imaginar que não tínhamos muito tempo com ela?

A gente teria se falado mais, dado uma trégua na pauleira, deixado a gincana do dia a dia pra se encontrar. A gente teria feito tudo aquilo que combina, mas que a vida atropela. A vida nos atropelou agora. E agora não dá mais.

“Até a morte, tudo é vida”. Miguel de Cervantes não sabe, mas escreveu isso para você Terezinha. Escreveu sem nunca ter ouvido sua gargalhada, sem ter visto seu sorriso largo, escancarado.

Você se foi e nem contou o que colocava naquela caipirinha de maracujá que fez em Caçapava que te dava essa alegria escandalosa de viver. Certeza que você turbinava aquele copo de alegria. Só pode!

Tá doendo em mim, tá doendo num mundão de gente que gosta de você. É egoísmo nosso, pois ninguém quer sofrer com a ausência de quem a gente gosta. Dá uma raiva da vida, porque não dá pra acreditar que alguém tão cheia dela, dessa vida louca, possa morrer.

Se nos serve de consolo, você Terezinha, não vivia esperando o futuro pra ser feliz, não perdia a felicidade de cada momento não vivia presa às amarguras do passado.

E esse é o grande mistério da vida! O hoje! E isso ficou bem claro pra mim, quando escutei seu marido dizer que você rasgou o seu ultimo exame dizendo que não importava mais, pois viveria um dia de cada vez. Por isso, quero viver tudo que há para viver. Deixar marcas. Dessa vida nada podemos levar, mas podemos deixar…

Você se foi, mas deixou sementes de alegria, de amor, de carinho e dedicação. Deixou boas histórias para seus filhos, parentes e amigos contarem sorrindo aos outros, a seu respeito.

Entre tudo isso, nunca deixou de amar, aproveitar cada momento como se fosse o último, deixar boas impressões, apertar a mão do próximo, abraçar, brincar feito menina, e sorrir, sorrir muito mesmo.

Mesmo internada, com dores e sofrendo desapegou-se de tudo que poderia enegrecer o seu coração e tornar a vida mais pesada do que ela já era…

Acredito que muitos de nós, grafamos as lembranças ruins no ferro e as boas lembranças na areia da praia, e isso acaba tornando muitas vidas vazias, por viverem relembrando o que deveriam esquecer e esquecerem o que deveriam relembrar.

O que fica na vida não é o ponto de partida, nem o ponto de chegada, são as sementes que plantamos ao longo caminho.

Depois da Terezinha não quero perder de vista outras pessoas legais que eu acabo encontrando pela vida.

A vida tem desencontros demais e, infelizmente, a gente nem percebe.

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