Neguinha: uma história de superação!

29 03 2016

20160324_230113Essa é a história da Neguinha. Uma cachorrinha de apenas três meses atropelada pelo meu pai…

… Era final de tarde do dia 19 de fevereiro, havia acabado de chegar de viagem da casa do meu avô quando o fato aconteceu!

Alô, é da casa do José? Tem um cara aqui no ponto de taxi que diz que o senhor atropelou o cachorro dele.

Meu pai do outro lado da linha estremeceu, pois ao tentar descer do carro no momento do atropelamento, o tal dono, já muito nervoso o ameaçou.

Neguinha, uma cachorrinha ainda “bebê”, com predominância da raça daschund e com fortes dores, ocasionada, por um acidente que a deixou inicialmente sem mobilidade da patinha esquerda traseira, foi encaminhada ao melhor hospital veterinário da região.

Exames, remédios, soro, radiografias e a triste conclusão!

Neguinha encontrava-se anêmica, com vermes e bicheira no ouvido, infestada de carrapatos e sem vacinas. Impossível realizar uma cirurgia ortopédica naquele momento. Ela não resistiria…

Com isso começou a luta pela sua sobrevivência. Começaríamos a tratar a anemia, posteriormente a cirurgia, vermes, vacinas, carrapatos e tudo o que fosse necessário para que ela continuasse viva.

Meu pai, não se negou a prestar todo o atendimento, inclusive o financeiro, mesmo ciente que a recuperação ficaria entre R$ 4.000,00 a R$ 6.000,00.

Neguinha fez a cirurgia uma semana depois pela Dra. Vanessa Meirelles da Clinica Ortocanis e pelo Dr. Luis Fernando Novaes da Clinica Mundo Animal. Nessa ocasião seu índice de hemoglobina já estava dentro do nível tolerado, e desde o procedimento a cachorrinha está na casa da minha mãe.

O dono se recusou a cuidar nesse período e solicitou que entregássemos a cachorrinha somente quando ela estivesse bem. Além disso, fez a pequena observação de que se ela mancasse não queria mais ficar com ela.

Vocês não imaginam como eu torço para ela mancar, nem que seja um pouquinho. Pois um ser humano que rejeita seu animal de estimação por um detalhe desses não pode ser um bom dono!

Infelizmente, a rinite alérgica da minha mãe piorou muito com a chegada da Neguinha e ao expor a situação ao médico, a justificativa dada foi um agravamento do quadro ocasionado pela curta pelagem da cachorrinha. Aliado a isso, meu cachorro, um shitzu de dois anos e meio, mimado e criado como um membro da família é tão ciumento que não pode ficar solto com ela que começam as brigas e são brigas feias!

De antemão, e antes de falarmos com o dono da Neguinha, já estávamos nos empenhando para encontrar uma pessoa que gostasse de verdade de cachorro e assim, estaríamos em paz de que ela teria uma vida digna. E tudo indica que encontramos!

E essa adoção, se acontecer, será especial e a nova dona abençoada, pois a Neguinha é a coisa mais fofinha, boazinha e feliz que eu já vi no mundo!

Vocês devem estar se perguntando: E o dono, certo? Pois é! O dono é uma história complicada, ligamos diversas vezes, enviamos whatsapp, fomos até a residência, deixamos recado com a vizinha e nada dele entrar em contato. Será que ele quer mesmo a Neguinha? O que vocês acham?

Mas ele é o dono! E nada pode ser feito sem o consentimento dele. Tenho princípios morais que me impedem de “chutar o pau da barraca” e dizer: Amigo, sua cachorra está toda manca! Quase uma cachorra deficiente física! E assim, permitir uma vida digna em outro lar.

Hoje, fiz mais uma tentativa, mas ao chegar ao portão do individuo, olha a cena que me deparo?

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20160329_092320

20160329_092323

20160329_092208Em prantos, decidi deixar o local, rumo ao meu trabalho! E pensei muito na relação que eu tenho com o meu cachorro…

“Muitas vezes eu chego na casa da minha mãe, depois de um dia cheio, estressante, complicado. O humor está péssimo, o corpo fatigado, a mente esgotada pelos compromissos. Ao colocar a chave na porta, eu penso simplesmente em entrar em si mesma, ficar quieta em um canto, ruminando os problemas do trabalho, os conflitos familiares, o trânsito infernal. Eu só quero esquecer de tudo, buscar uma paz que parece meio impossível.

Mas ao girar a maçaneta, alguém está à minha espera. Abana o rabo, late, pula. Ah, mas justo hoje, que estou tão cansada? A solução é ignorar. Fazer de conta que eu não vi. Mas o rabo continua balançando, as lambidas não param. O alguém pula no meu colo, ou simplesmente lambe o meu pé. 

E de repente toda aquela carga negativa que eu trouxe da rua começa a se dissipar. Eu nem sei ao certo quando, mas do nada me dou conta de que estou brincando, passeando, conversando, beijando ou somente afofando o meu amigo em um delicioso abraço. E a vida acaba de ficar muito melhor, graças a ele”…

Confesso que a cena de hoje me revoltou! É bem difícil explicar como uma pessoa tem coragem de mantê-lo preso numa corrente ao relento e com a mobilidade reduzida. Denunciar funciona? Já tentei com um cachorro que passava mais de uma semana sem comida ao lado da minha casa e o descaso das autoridades com essa situação era demasiado…

E o que fazer então?

Você até pode não gostar de cachorro, gato, papagaio, tartaruga ou qualquer outro animal, mas não judie. E se não gosta, não o tenha!

Hoje, a ficha caiu…

Se a Neguinha passou por tudo isso, está bem, feliz e curada, simplesmente porque estava disposta a lutar, nós temos que lutar por ela!

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One response

29 03 2016
LUIZ FISCHER

lindo texto como sempre 

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