Em relacionamento 1+1 pode ser 3?

14 08 2017

Existe lógica nas relações humanas? Uma fórmula do amor? Será que meus relacionamentos são aleatórios, sem lógica e sem sentido? Os meus amigos, chefes ou parceiros apareceram na minha vida por mera coincidência?

Químicos analisam a estrutura biológica em busca de pistas. Psicólogos tentam cravar uma teoria. Pessoal do horóscopo faz a previsão astrológica e lê cartas. Além, é claro, dos matemáticos que tentam trazer uma luz diferente sobre o tema.

Acho um tema interessante a ser abordado e acima de tudo, divertido.

Claro que no meu mundo utópico acredito que as pessoas desafiam a coerência matemática dos relacionamentos. Nesse setor da vida as leis são especificas e desafiam a racionalidade humana. Explico-me. Eu, dentro da minha mais limitada simplicidade feminina, não consigo enfiar na cabeça a matemática dos relacionamentos, mas conheço pessoas racionais, ligadas a lógica que acreditam existir uma estatística e um “porquê”.

É obvio que o cérebro do homem funciona de maneira simples e lógica: se eu quero e ela quer, vamos em frente. Não tem segredo. Dois mais dois é quatro e assim por diante. Mas a mulher tem sensibilidades e nuances que o homem não consegue captar. Tem uma lógica sem lógica. Com ela as coisas são mais subliminares, mais suaves, tão etéreas que flutuam invisíveis no ar. E é aí que o homem tem que procurar as respostas, na atmosfera e nas entrelinhas, na mensagem que emana dos seus mais discretos gestos. Só assim ele pode encontrar o caminho das pedras e evitar a incompatibilidade que pode surgir cruel, quando tudo parece certo.

Sim. Não é pra qualquer um, talvez seja por isso que observamos tantos relacionamentos baseados na lógica do uso e do descarte.

Dentro desse contexto, Sueli Meireles em seu artigo “Relacionamentos Descartáveis” afirma que motivados pela sociedade de consumo de bens materiais ou emocionais, os jovens saem às ruas em busca de quantidade, e não de qualidade. Querem contabilizar quantas vezes “pegam” ou “ficam” com alguém, traduzindo, em números elevados, a miséria afetiva de seus corações. Têm medo de amar, de sofrer, de se decepcionar ao descobrir que o outro não lhes traz a garantia da tão desejada felicidade. Por isso se usam, mantendo a relação em seus níveis mais superficiais, visando apenas o esvaziamento imediato da tensão libidinosa, tendo como objetivo apenas o prazer físico.

Alguém aí concorda? É uma informação baseada em estatística?

São tantos questionamentos, parâmetros, dados e informações, que pensar numa conexão abstrata e num padrão de comportamento é uma atividade, no mínimo, interessante.

Por mais abstratos que sejam números e fórmulas, eles ainda fazem mais sentido do que toda sorte de superstições que a sabedoria popular inventa. Em um país como o nosso, o que não faltam são simpatias – em geral, evocadas a Santo Antônio, o santo casamenteiro. Para arranjar namorado, uma das mais conhecidas diz que se deve colocar uma imagem do santo na geladeira (de cabeça pra baixo) e só tirá-la quando o amado aparecer em sua vida. Perto de costumes como esse, a idéia de sentar-se à mesa com uma calculadora científica na mão fica bem menos estranha. (Leia o meu artigo “O Santo nosso de cada dia” em  http://wp.me/p15Sgd-9F)

Certa vez, minha irmã caçula, que vive em busca de sua alma gêmea, indagou uma das suas dúvidas mais cruéis: Onde há mais chances de encontrar a cara-metade? Num barzinho, no shopping, na igreja, na balada, na academia, no local de trabalho ou na casa ao lado?

Se eu seguir a lógica de que se eu procuro um esportista, é praticamente impossível que o encontre bebendo na balada no meio da madrugada; se busco um homem com o lado espiritual desenvolvido, acho mais provável encontra-lo na igreja e se busco um executivo, também teria dificuldade em achá-lo indo ao shopping às duas horas da tarde, acho que a lógica do local aumenta ou diminui consideravelmente as minhas chances.

Sendo assim, iniciar a busca procurando o tipo ideal de parceiro nos locais e nas atividades mais prováveis de encontrá-lo parece óbvio, certo?

Mas quantas vezes a vida não te deu um “olé”? E aquela regrinha praticamente não funcionou?

Numa situação hipotética, você poderia procurar uma pessoa da área de comunicação numa empresa e encontrar um físico num aplicativo de relacionamento.

Possível? Por que não? A mudança social com o advento da tecnologia está aí, mais especificamente na palma das nossas mãos.

Com regras ou sem regras, com número ou sem números, com lógica ou sem lógica, prefiro seguir ao ritmo de legião urbana que parafraseava “E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

 

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